Algumas vezes eu abro esta página onde eu devo escrever uma nova postagem e paro minutos olhando para ela tentando organizar o que eu pensei em escrever durante o dia, ou algumas idéias que eu tive para por no blog. E fico pensando como em pensamento tudo flui com facilidade e na hora de escrever é tão mais difícil. Mas eu sei que as palavras, os sentimentos e as idéias estão aqui, é só uma questão de ordenar tudo. O que dificulta tudo é que eu não sei o que quero expor dentre todas as coisas que povoam meu universo pessoal.
Hoje, por exemplo, eu estou com muita vontade de escrever sobre o retorno da Bolinha e o quanto tudo isso que aconteceu foi significativo para mim. Mais, muito mais do que as pessoas ao meu redor imaginam. Vou tentar explicar porque.
Para quem não sabe, a Bolinha é a gatinha que peguei há uns cinco anos atrás num pet shop que estava doando filhotinhos. Eu sempre tive gatos durante vida, mas a Bolinha se tornou muito especial, talvez pelo tempo de convivência, talvez pela afinidade, talvez pelo seu temperamento bater com o meu. Sim, gatos têm personalidade, opinião e gosto próprios. E eu me apeguei extremamente a ela até que, um dia, sem tanto nem quanto, ela desapareceu.
O curioso da história é que eu, pouco antes de ela ter sumido, pedia em silêncio para que Deus não a tirasse de mim, pois eu certamente ficaria muito triste, como de fato fiquei.
Quem não tem animal de estimação não sabe como é ruim entrar em casa e encontrar o vazio causado pela ausência do seu animalzinho. Era de costume eu abrir a porta da sala gritando "Boliiiiinhaaaa!" e, ao entrar, ouvir o miado dela de indignação por ter passado tanto tempo sozinha.
Eu realmente fiquei muito chateada quando vi os dias passarem e nada de ela retornar; chateada a ponto de cometer alguns atos dos quais me arrependo, mas que foram impulsionados pela minha agonia e inconformismo perante mais uma perda. Gritei em silêncio " Por que, meu Deus?".
O que me deixou mais triste foi que, houve uma série de outras coisas que pedi com um desejo enorme para que Deus mantivesse na minha vida e que acabaram indo embora num intervalo curto de tempo. Eu pensava "por que eu perco tantas coisas que são tão importantes para mim?".
Eu vejo como uma prova muito grande do poder de Deus o fato de não termos controle sobre aquilo que queremos ter. Há coisas que, por mais que se queira, não estão ao nosso alcance ou que não acontecem quando estamos mais ansiosos para que se efetivem. Tem um lado meu que parece criança mimada que grita e espermeia quando não pode ter o que quer, na hora que quer. Nesses momentos vejo o quanto sei pouco sobre a minha vida, sobre o mundo, sobre tudo. Eu me sinto presa nessa condição impotente e ignorante em relação ao futuro. Eu me sinto limitada por não poder enxergar o que vai acontecer comigo, exceto a certeza da morte. E isso, para mim, consiste na maior prova da existência de Deus.
A ironia é a seguinte: a única certeza que se tem do futuro é a morte que, justamente, é um grande mistério. A única certeza é uma incerteza, um mistério.
Voltando à Bolinha...depois de uma semana sem que ela desse sinal de vida as minhas esperanças se esvaíram e eu pensava tristemente que nenhum gato seria capaz de substituir a sintonia que havia entre nós; que eu jamais gostaria de ter outro gato, pois ela era insubstituível.
Passou um mês, dois, até que, sexta-feira passada, de madrugada, eu ouço um miado muito fino ao lado da minha cama (a porta da cozinha fica aberta dando acesso à casa), mas nem dei muita atenção, pois tenho um outro gato muito chorão e pensei que fosse ele. Mas o miado persistiu e eu resolvi ver que gato estava miando. Apertei uma tecla do celular (que fica do meu lado durante a noite) e eis que levo um susto ao ver o fantasma da Bolinha. Fantasma? Não, era a Bolinha, viva e morrendo de saudades de mim.
Logo pensei em Deus e em tudo que eu havia pensado durante todo esse tempo em que achei que ela estava morta e a situação ficou mais obscura ainda na minha cabeça. Um sentimento inexplicável, pois eu quis tanto que não fosse verdade o desaparecimento dela, por tanto tempo e, quando não cogitava mais nenhuma chance de tê-la comigo, ela reapareceu. O que isso quer dizer? Eu não consigo dissossiar essa situação de um sinal de Deus que não consigo interpretar. Sei que fiquei feliz e agradecida. E sei que aprendi muito nesse período. Aprendi que as coisas realmente têm seu tempo para acontecer; aprendi que paciência é uma aliada sempre e que eu devo viver lutando pelas coisas que eu quero dentro do que é possível para mim, o que estiver além do meu alcance depende de Deus e não adianta eu me desesperar pois o que eu sinto não muda os fatos, só faz parecer a espera mais longa.
Conformista? Acho que não, têm lutas que simplesmente estão muito além das nossas forças.
Se não há maneiras de mudar a realidade, pelo menos dentro da sua realidade você pode manter seus sonhos acesos e torcer por um milagre.
Há 18 anos

Um comentário:
Minha gata se chama Mechmecha-estou pensando chamar depois Samir...
Se você souber tanta saudade da minha gatinha me deram seus profundos comentários sobre Bolinha
Gato egipcio
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