Há 18 anos
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Um blog celestial...
Que dúvidas você pode ter de toda sinceridade de cada uma das minhas palavras, olhares, suspiros, sorrisos, vontades, saudades e tantas outras coisas mais que provassem que era tudo real e verdadeiro e incrivelmente feliz e puro? E que benefícios poderiam te trazer a certeza dessa sinceridade? E que diferença poderia fazer na sua vida se o que eu sinto somente sinto eu e não você. É, eu sei, reconheço e sempre soube que sentimentos são intransferíveis, incompartilháveis e isso, de tempos em tempos, faz com que eu me sinta aprisionada dentro de uma muralha solitária, enclausurada. Ah, sim, eu sei, dramática demais, exagerada, histérica...Não é pra tanto, não é mesmo? Concordo e entendo e falo que nem tudo diz respeito a você. Poxa, é tão difícil entender, acabei de dizer, os sentimentos estão presos e acobertados por aquilo que chamamos matéria e que nos separa e nos dá a liberdade da solidão. A liberdade da solidão, vulgo privacidade. Sim, somos livres apenas dentro dessa prisão que nos isola. A mente, um deserto no qual tudo é possível. E você nem sabe o quanto esse deserto é habitado por possibilidades e memórias que causam as mais variadas emoções. A mente comanda, mas ela não é livre. Sim, ela se amarra, se acorrenta a certas idéias nebulosas, etéreas e fica perdida num labirinto de fantasias perigosas as quais você jamais seria capaz de alcançar. Nem você nem ninguém. A mente é o elo mais próximo do homem com Deus. E entre mim e Deus, onde você entra? Não, não entra. Assim como não entra no blog e em nenhum lugar que não se chame passado. Sim, foi essa sua escolha, desfrute, portanto. Pois é quando estou perdida fora do ônibus que me leva à faculdade e quando não estou ouvindo as músicas que tocam no meu mp3, as mesma músicas, tão minhas, suas, nossas, mas que não, não ouço, pois estou longe, longe demais, naquele labirinto tentando compreender os porquês que você também é incapaz de me dizer. Sim, é quando me aproximo de Deus e percebo que a vida não foi feita para ser simples e nem difícil e que, de todas as escolhas, desistir é a mais cômoda e a mais humilhante. Mas, uma escolha corajosa que não alivia nem resolve. Mas bem, eu também já desisti e isso não está mais no rol das coisas que importam, pois esse mesmo rol já não importa, assim como você e eu não nos importamos mais, e estamos fingidamente cientes, conscientes disso e plenamente felizes com nossas escolhas frustrantes. Nossas, eu disse nossas? Ah, esse amigo feroz chamado orgulho! Suas, desculpe, suas escolhas! Mas bem, você também tem aí seu universo íntimo, seu labirinto próprio e seu elo com Deus. Por que raios estou eu a me meter com suas decisões? Ah, bem eu sei que isso tudo é coisa passada, ida e que não volta. Convencida e conformada. E todos os sorrisos e palavras e olhares e sinceridades que trocamos, não, não, chega disso! Se encontros acontecem, igualmente acontecem desencontros, este foi mais um. Por que poderia não ser, uma vez que era tão evidente que seria? Evidente menos para mim, mas ainda sim evidente. Situações óbvias, repetidas, ora...evidente demais para qualquer um que não estivesse cego pela luz ofuscante da esperança. Ora, sem mágoas, culpas ou coisas dessa espécie. O passado, afinal, continua parcialmente presente, mas definhando, definhando, fraco, distante, remoto e logo, tão logo, enterrado. Enterrado, mas ainda assim construirei um mausoléu à lá Tajj Mahal para você, afinal os sorrisos, as palavras, os olhares...tudo isso ainda vive, e como vive!
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2 comentários:
E então Pandora abriu a caixa, e liberou todos aqueles monstros horríveis, que saíram cheios de gana para o mundo.
Lá no fundo, com seu brilho opaco e choroso, ficou a esperança. E nós erguemos um templo a ela... escolhemo-a como nosso último refúgio, nossa talismã na noite escura, como o sinal de quem um dia derrotaríamos todos os monstros e os colocaríamos de volta na caixa.
Mas nunca, nunca nos demos conta de que ela estava lá na caixa, aprisionada também. Nunca nos demos conta que ela é mais um monstro, como todos esses que estão a voar doidos por aí. E ela é o mais perigoso, porque é matreira, porque é camuflada. Ela usa o pior disfarce: o disfarce de si mesma. E assim, disfarçada de esperança, nós não nos damos conta que ela também é mais um monstro.
Não gosto de te ver, ou ler, assim...
Saudades de ti, das aulas e de você me socorrendo...rs...
Beijos
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