segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Aos frequentadores tão pouco assíduos deste humilde e empoeirado blog, venho para aliviar a dor da saudade que certamente não assola vossos peitos.
Bem, venho renovada e ainda assim a mesma.
Venho para encher vossa paciência com mais reclamações e com aqueles tantos pensamentos pouco conclusivos.
E venho aqui com a alma imersa no mar das mesmas incertezas sempre persistentes ou perseguidas, já não sei mais.
A verdade é que venho com uma dose razoável de inconformismo e outra menor de modéstia. Porque eu tenho uma insuportável e resistente doçura débil que inibe meu instinto de defesa e não permite que eu seja agressiva mesmo quando é preciso que eu reaja. Estou falando de agressividade, não de violência. Estou falando de ser forte, firme e lutar para manter posições e saber me impor; de fazer as pessoas me admirarem, respeitarem e de, até certo ponto, intimidá-las.
Cansei desse idealismo inocente e infantil. Quero ver as pessoas em seu pior, naquilo que elas tem de mais bestial e primitivo. Não, não quero conhecer maníacos presidiários sanguinários. Quero enxergar as pessoas pelo que elas são: animais que acreditam serem capazes de pensar.
E eu já estou cansada dessa selvageria, desse canibalismo. Cansada e desgostosa. Tentando me convencer de que tenho mesmo que partir para a parte prática da vida: trabalhar e sobreviver, esse tédio todo da convivência humana.
Deus, seria mais fácil se eu pudesse me divertir em meio a trinta desconhecidos reunidos numa casa com a falsa ilusão de que se gostam e de que estão se divertindo. Seria mais fácil se a simpatia forçada me convencesse. Seria mais fácil se eu julgasse menos as pessoas antes de conhecê-las, ou se eu tivesse vontade de conhecer. Mas, com toda sinceridade, a repulsa que eu sinto fala mais alto. Eu gosto de quem eu gosto e poucas pessoas serão capazes de romper a barreira que eu criei com medo de mais desgosto.
Há, deve haver, alguma lição que eu não aprendi em termos de relacionamentos. E não estou com vontade de continuar estudando essa matéria. Eu tranco, reprovo, deixo para trás e vou seguindo sem instrução e sem vontade. Porque se for para destruir o que eu acho que é aquilo que tenho de mais precioso, eu prefiro me manter como observadora e deixar o empirismo para as pessoas aptas a devolver os arranhões que levam.
Eu fico assistindo feliz no camarote. Desde que ninguém me aborde com conversa fiada.

3 comentários:

Anônimo disse...

Apesar do tom triste, do desabafo, do peito apertado e da revolta,tenho que tirar o chapéu pra ti.
Poucas pessoas conseguem escrever como você. Por um breve segundo fiquei com inveja.Mas, lembrei que tendo você como amiga,talvez,eu consiga "pegar" esse talento, ainda que em doses moderadas...

Unknown disse...

Olha só.. ela escreve...rs
e como escreve! parabéns!
bjo

Anônimo disse...

Samira, você é uma das pessoas mais fortes que conheço. Apesar dos tapas que a vida tem dado, você segue em frente (mesmo sem querer).
Eu nao sou do tipo que mantém laços com pessoas mais fracas que eu porque gosto de aprender com os outros, gosto de transparencia e gosto de verdadeiros sentimentos. Você é uma das "novas" amizades que fiz que valem a pena porque você não tem medo de ser você, de mostrar todos os seus tipos de sentimentos.
Não se preocupe em procurar pessoas que sejam como você, nem em esperar por elas; um dia elas aparecem e ficam para sempre no coração e na mente. E, acredite, você é desses poucos seres iluminados que temos a sorte encontrar no caminho da vida e que fazem a diferença.