Nesses últimos dias eu mais que abusei do pobre ouvido dos meus amigos. Eu acho que estourei os tímpanos e a paciência de muita gente com tantas queixas. A verdade é que eu escorreguei feio, me senti caindo e precisei me apoiar em alguma coisa rápido e desesperadamente. A boa notícia é que eu tenho, sempre tenho (graças a Deus) pessoas que são como base para que eu possa me sustentar quando escorrego e, mesmo quando caio, amparam minha queda e estendem o braço para me ajudar a levantar.
E eu quero agradecer, com toda sinceridade, a todos os meus amigos e pessoas presentes na minha vida.
E um desses amigos disse que estava preocupado comigo pelo que ando escrevendo no blog: "Samira, você está muito cética e descrente de tudo!", ele disse. E eu pensei: "não, eu não estou!".
O que eu quero transmitir agora às poucas pessoas que acompanham esse blog é que não esperem que eu venha aqui para dizer que amo o céu e as estrelas, embora eu ame; ou que acho lindo o contraste das flores lilás e amarelas nas árvores enfileiradas da USP, e que me deslumbro ao olhar para o céu através dos galhos carregados de flores coloridas. Eu me deslumbro com isso e agradeço sempre a Deus pela sensação de alegria que enche meu coração quando olho para essas árvores em dias de céu azul e sol forte. E que eu morro de rir assistindo Ally Mcbeal sozinha no quarto, ou que suspiro toda vez que o Billy sorri com aquele olhar meigo (ai ai...).
O que eu quero dizer é que eu venho aqui para expor as feridas, para tirar de mim o que me incomoda. A felicidade é um sentimento que não traz complicações, portanto, não inspira.
Eu não sou uma unidade. Eu sou um número incontável de universos perdidos dentro de mim e, a cada hora, um se torna predominante. São como impérios que vivem em guerra disputando poder, mas que se destroem frequentemente, se recuperam, ganham força e voltam a se destruir.
É essa guerra que eu preciso tirar de mim. As pessoas são assim, infinitamente (INFINITAMENTE) complexas. Eu sou assim, mas não significa que não seja feliz. Aliás, eu sequer acredito no conceito de felicidade como algo externo que devemos buscar. Ela está em nós, sempre. Assim como a tristeza e a raiva e todos os outros sentimentos. As circunstâncias favorecem um ou outro sentimento e, por isso, eles vêm à tona.
É isso. Eu não sou uma pessoa raivosa que quer explodir o mundo ou que não é capaz de amar quem está perto. Muito pelo contrário, é por eu dar valor aos sentimentos das pessoas que me indigno tanto com as injustiças. É por querer entender o que motiva uma pessoa a ser leviana com a vida de outra que eu fico tão chateada. É por ser romântica e idealista que eu me entristeço. Eu quero um mundo de pessoas verdadeiras. Eu quero pessoas que sejam capazes de se amar. Eu prego isso, eu sou uma defensora incondicional do amor. O amor é a coisa mais próxima de Deus que eu acredito haver na Terra (viva o Ibn Hazm!).
Eu sei o quanto esses valores estão ficando ultrapassados e eu estou profundamente magoada por ver o mundo de sonhos que eu queria tanto viver se despedaçando.
Eu sou uma pessoa completamente comum, que carrega em si todas as inconstâncias que uma pessoa pode ter. Eu também sei ser cruel e maliciosa. Mas uma coisa que eu não faço, é menosprezar e ser leviana com quem faz parte da minha vida.
Eu sou apenas uma pessoa que procura loucamente por respostas, que quer desesperadamente entender a vida e que está quebrando a cara percebendo que têm coisas que são inalcançáveis.
É isso, eu precisaria acreditar em felicidade para estar infeliz, o que não significa que eu não esteja bem. Quem nunca escorregou na lama da estrada da vida antes??? Mas estou aqui, aberta às risadas. A vida é uma piada de humor negro, é o meu lema!

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