Antes de ler, aperte o play do video.
E ela está ali, frente a ele, naqueles segundos em que o universo todo simplesmente deixa de existir e só o que resta são as batidas aceleradas do coração. E olhava fixa e intensamente para aqueles seus olhos castanhos, quase pretos, se questionando sobre o que era aquilo que sentia naquele momento. Olhava com seus olhares curiosos e divertidos, provocantes que ele era incapaz de compreender, mas adorava. Ninguém no mundo era capaz de decifrar aqueles olhares, tão seus, tão evasivos. E dentro dela, quando olhava assim, pairavam todas as dúvidas quantas podiam existir no mundo, mas naquele momento específico em que ela o encarava demoradamente, deixando-o confuso, naquele momento ela se perguntava o que era aquilo que estava sentindo. De todas as suas formas exclusivas de se divertir com suas curiosidades, a incerteza de um sentimento não era uma de suas preferidas, mas ainda assim aquilo lhe causava uma agitação que a transportava apenas para o céu azul acima deles e se deslumbrava com o mundo e aquela forte sensação de preenchimento da alma. Era amor? Ela se perguntava incessantemente. Tudo, naqueles segundos, havia se tornado distante, surreal...era até estranho levantar a cabeça e ver os carros passarem, pois a realidade ali a deixava conturbada. Ah, queria mesmo é que o mundo parasse! Voltou então seus pensamentos para aqueles olhos que a fixavam com uma expressão confusa, e ela riu da inocência daquele olhar, tão entregue enquanto ela se perdia na inexistência do universo. A verdade é que amava mesmo era o mundo que era capaz de criar dentro de si e se jogar, sem nenhum elástico preso aos pés, de cabeça, em sua criatividade. Aquilo era dela, só dela. Ele jamais entenderia...
Talvez seu ideal de amor fosse alguém que invadisse sua consciência, agarrasse sua mão e fossem juntos pintar uma realidade particular única. Voltou a se concentrar naqueles olhos concentrados, já preocupados, que a indagavam desesperadamente. E, talvez por sadismo, riu do sofrimento que causava seu silêncio. Adorava aqueles momentos em que se mantinha impenetrável, olhando fixamente para aqueles lindos olhos castanhos que a queriam compreender, agoniados.
-No que está pensando?
-Nada...- era sempre sua resposta. Porque seu mundo era incompartilhável.
Bastava encará-la para perceber que pertencia a outra dimensão.

Um comentário:
Pode haver terceira margem do rio que nao seja sua margem nem a margem dele?Maged
Postar um comentário