Sabia e sempre soubera do grande incomodo que era ter que escolher. E sabia também que não conseguiria mais fugir das bifurcações inevitáveis que, precoce ou tardiamente, a vida apresentava. No entanto, tentava calcular minuciosamente tudo que haveria de deixar e tudo que receberia em consequência de suas escolhas. A verdade é que se cansava de viver à margem do mundo; a boneca na vitrine da loja que olhava a rua, os passantes, mas que raramente era notada. E pensava que a porta que se abria poderia lhe entregar o mundo, mas temia acreditar nessa ilusão e afundar-se em uma vida monótona. E o que seria de sua vida se em nenhum momento se arriscasse? Pior do que os covardes eram os indecisos, pois os covardes optam por não agir, enquanto os indecisos sequer sabem o que querem e passam suas vidas a espera de algum acontecimento que os empurre sem que precisem pensar. E de quem era o mundo senão das pessoas que não temiam se expor aos olhares sempre tão críticos de todos? O mundo era de quem acreditava, não de gente negativa e cética. De pessoas que, por mais absurdas que fossem suas idéias, lutavam para defendê-las. A verdade é que o ninho no qual crescera há muito deixava de parecer acolhedor e suas aspirações divergiam dos ideais daqueles a quem chamava de sua raiz. Que tinham contribuído para a formação de muito da sua personalidade, era fato. Mas hoje via que parte dessa contribuição vinha pela rejeição a uma forma restrita, seletiva e sufocante de viver. Cansava-se da reclusão. O mundo também era seu, não queria mais abrir mão dele. A proteção, sem dúvida, era confortável. Porém, já não a tinha havia muitos anos e o impasse de uma vida dividida entre realidades incompatíveis e opostas, mas concomitantes, quase lhe enlouquecera. Agora não! Havia, enfim, uma válvula de escape. E coragem também. Pularia deste trampulim mesmo sem saber nadar. Mesmo no escuro. Queria o mundo...
Há 18 anos

Um comentário:
Vamos criar este mundo novo de ponte entre Mundo Arabe e America Latina Maged
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