Se a confusão haveria de ser sua eterna escudeira, aprenderia a conviver pacificamente com ela até que se tornasse capaz de dominá-la e reduzi-la a um grau insignificante. Encarava-a como um passo fundamental do amadurecimento, da necessidade de se fazer escolhas e, na verdade, estava feliz com o rumo que a sua vida parecia tomar.
Perguntava-se até que ponto seu presente seria fruto de suas decisões ou se tinha sido conduzida por uma força maior até que estivesse preparada para enfrentar os dragões que a prendiam na torre do castelo. E recapitulava cada etapa que vivera, especialmente nos últimos anos, fundamentais, tentando decifrar o enigma. Certas escolhas eram suas, mas concluía que estava num embate, lutando por um sonho que não era seu e que tantos erros acumulados nesses anos provavam isso. E por isso perdera-se no seu próprio caminho. Indagava-se se o presente era uma causa ou uma consequência de tantas lutas consigo, com o mundo, com a realidade e por isso sentia aquela constante agitação interna, aquele desconforto e desajuste perturbantes.
Talvez se precipitasse jogando tudo isso no passado, mas o sentimento que a movia não era de uma paixão inocente, idealista e inocente, e sim uma coragem e vontade de ir adiante, de dar-se uma chance de se conhecer, de poder se olhar e se encontrar. E os céus, como sempre, pareciam ouvi-la. Queria o apoio de Deus e bastava olhar para trás para sentir-se forte, como se sua história mostrasse que o rumo que tentava seguir levava para um túnel sufocante que destruiria seus sonhos. Queria mais do mundo e gostaria de ser mais no mundo.

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